domingo, 8 de agosto de 2010

E ela

Chegou com olhar perdido de quem não conhece o caminho que faz. Seus olhos buscavam alguém ou algum indício de estar na direção certa.
No abrir de uma porta, seus olhos se encontraram: a certeza do objetivo alcançado e o sorriso de acolhida. A tranquilidade tomou conta de seu pequeno coração.

Do não pertencimento

O que antes era vital, essencial, já me parece sobrar.
Se ontem não vivia sem os antigos, hoje, mais do que nunca, preciso dos novos.
Sinto as asas presas, atadas, limitadas. Nem os sonhos cabem mais por aqui. Preciso de liberdade, espaço, vida nova!
Que a saudade seja combustível para afastar o esquecimento. Mas que os novos ares sejam necessários e alimentem os sonhos e renovem as forças para as asas jamais se fecharem.
O coração permanece, mas a alma precisa sair. O mundo me chama, já não pertenço mais a este lugar.

Preciso!

Já não pertenço.
A parte de mim que existia aqui foi pra algum lugar que não sei onde.
Preciso dela pra sobreviver. Não sou eu, subexisto.
Alguém fechou a porta e senti pular pela janela tudo o que me prendia e trazia sorriso e fazia viver.
Quero de volta. Preciso!
Já não me reconheço neste lugar, nestas pessoas, nestes fazeres. Preciso de volta as minhas asas libertas, abertas, cobertas de desejos e planos e vontade de voar.
Não sou o que fui, sou menos. Preciso de mais! Preciso de volta as minhas forças e vontades de crescer.
Preciso abrir as asas e voar. E sempre que for preciso, ter um lugar para onde possa voltar. Preciso do mundo que grita de dentro de mim querendo encontrar o mundo que existe aqui fora e espera minhas asas e sonhos em algum lugar.

~ Carta para o melhor presente

Meu melhor,

escrevo-te para dizer o que já sabes, ainda que eu nunca tenha dito com todas as letras.
O meu coração só se acalma quando converso contigo. E conto tudo aquilo o que me aflige ou alegra em demasia.
Mesmo tendo outros amigos, que me conhecem há muitos anos, que cresceram comigo, que me viram chorar e sorir por todos os motivos... mesmo te tendo há pouco tempo do meu lado... mesmo tendo passado, contigo, por todas as coisas que somente nós sabemos que passamos, é em ti que vejo meu sorriso mais sincero, é contigo que sou, verdadeiramente, eu. Sem máscaras, sem armaduras, sem polimento ou qualquer tipo de disfarce.
Agradeço por confiares a mim teus segredos, por seres puramente quem és, por mostrares tua alma à minha e seres sempre aquele com quem posso contar.
Agradeço por seres meu melhor amigo, confidente, salvador, parceiro de samba e de mesa de bar, companheiro de caminhada e aventuras, mão para atravessar a ponte, ombro para chorar ou dormir, abraço, sorriso, olho brilhando, gargalhada.
E desejo que o que construímos até aqui supere a distância que o tempo tenta impor e todas as mudanças por que, inevitavelmente, passaremos.

Um beijo com todo o meu carinho,
Tua Morena.

Flores, amores e blablablá

chegou com flores roubadas do jardim da vizinha.
nunca fizera isso antes. era a primeira vez.
que motivo teria?
sabia que a chateação era tanta que não passaria com um beijo ou um simples pedido de desculpas ainda por telefone. e chegou com flores roubadas, só por ser diferente. só por ser romântico. só por mostrar que também sabia agir dessa forma.
pena a chateação não ter passado. seria cena de novela.
mas foi melhor assim. ficou de lição para a próxima vez. mesmo que se espere que tenha sido a última.

Das distâncias que o tempo impõe

Tenho medo do que possa ter me tornado depois de tudo o que vivi até aqui. Vejo os meus, aqueles que eram tão próximos e tão fáceis de ler, tão completamente diferentes do que eram nas minhas mais doces lembranças, que tenho medo de não ser mais sombra de quem eu era.
Distanciamo-nos, em tantos aspectos, do que fomos, que parecemos outras pessoas, nascidas em outras épocas, vivendo outras vidas. Será que nos tornamos aquilo o que nunca quisemos ou que sempre rejeitamos?
Sinto uma tristeza tão grande quando vejo que já não sinto o mesmo bem estar que pensava sentir, que sentia, que fora tão natural um dia.
As pessoas mudam, eu sei, mas a sua essência deveria permanecer a mesma. Sinto falta, não de uma pessoa especificamente, mas do que eu era e de como me sentia quando estava com esse alguém que já não reconheço mais.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Abandonado

Eis que a pior das sensações toma conta do meu coração: abandono. Com um agravante: permaneço cercado de pessoas que dizem sentir a minha falta e se importar comigo.
Mas pior que isso, eu sinto que você me troca pelas suas novas obrigações, novas amigas, novos sapatos... você me abandona quando eu mais preciso do seu carinho.

Carta para um bom amigo

Mon cher,

palavras jamais seriam suficientes pra dizer o carinho que eu sinto por você. Apesar da distância, de não nos vermos e, por vezes, mal nos falarmos, o coração compreende, perdoa e aproxima nossas existências.
Seguimos por trilhas tortas, muitas vezes paramos à beira do abismo. Mas é nesse momento que Deus se mostra presente, estende Sua Mão e coloca seus Anjos a nos proteger. A esses Anjos, chamamos, carinhosamente, amigos.


E foi você, meu caro amigo, que me segurou pela mão, olhou nos meus olhos e sorriu, trouxe cor, movimento e vida para minhas palavras e me mostrou que meu dom volta para o lugar de onde veio.
Saiba que eu estou aqui. Quando suas asas falharem, os pés calejarem e os joelhos não suportarem o peso do seu corpo. Eu estou aqui. Para te tomar pela mão, te levantar a cabeça, ampliar seu horizonte e mostrar que o Céu te espera o tempo que for necessário até que suas asas e seu coração estejam curados e preparados para o vôo da próxima missão.

Por todas as suas cores,
com todo o meu carinho.
je t'embrasse.
Poetisa.

A Mulher Árvore

Semente de uma flor caída do bico de um passarinho. Em meio à escuridão da terra, saiu em busca de luz. Cresceu, deu flor e enfeitou o caminho. Seus galhos se esgueiravam procurando alcançar o céu. No coração daquela árvore, um coração adormecia...
Era primavera. No meio do dia, um homem parou à sombra de suas folhas esperando repousar. Vinha sozinho, porém cantava. Parecia traduzir em sons o que sentia, pois não era compreensível o que ele dizia. E o doce som de sua voz despertou o coração que adormecia.


Abriu os olhos à procura de quem emitia tão lindo som que a despertara e se deparou com o homem que cantava. Perguntou-lhe quem era e o que o levara até ali. Ouviu como resposta uma voz suave feito brisa. Era um monge e tinha uma missão a cumprir. Andava tentando descobrir que missão seria essa. Curioso, quis saber como aquela bela mulher ficara presa ao tronco de tão frondosa árvore. Nascera ali, viera de uma flor. Mas até então não conhecera a luz do dia, adormecida ela permanecia.
E conversaram durante horas... conheceram profundamente um ao outro. Até que o monge se despiu de sua capa, abriu suas longas asas e voou. Cumprira sua missão de despertar a Mulher Árvore. Ela, por sua vez, sorriu e acenou para a liberdade que acabara de descobrir nos olhos do monge. Entendeu o sentido de estar ali e floresceu. Buscava o alto como o Monge Pássaro. E lá chegaria estendendo seus galhos para o céu.

a pedido de Carlos Valença, meu caro amigo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Dos pequenos exercícios de caridade

Ajudar uma velhinha a atravessar a rua, levar livros antigos pra uma biblioteca pública, doar roupas que não cabem mais pra uma igreja, comprar brinquedos novos pra um orfanato, ouvir os velhinhos em asilos...
São as pequenas coisas que fazem um grande coração.
Caridade é exercício ;)