terça-feira, 10 de março de 2009

Irresistível

Eles não conseguem. Não resistem, sentem falta do charme dela. Vão, mas sempre voltam. Não agüentam muito tempo longe. Eles têm que voltar.
E ela se diverte... aprendeu a ser maquiavélica, fatal e arrebatadora. Sutil e delicada, conhece as armas que tem. E usa. Quase todas elas.
Sabe que eles enlouquecem e gosta disso: seu maior prazer é tê-los a seus pés. Todos. Sem excessão. Por orgulho ou por paixão. Não importa.
Ela finge inocência, mas os conhece bem. Os decifra. Os entende. Os prende. Os perde. Eles se perdem na sua ginga, na sua graça, no seu perfume, no seu sorriso.
Eles não sabem, mas seu encanto é eterno. Não há volta. Basta o primeiro contato. O primeiro olhar. Ainda que sem intenção.
E eles dependem dela. Precisam, ao menos, vê-la... tê-la por perto. Nem que só em pensamento. Quem sabe, até, fotografia.
Eles vão, mas sempre voltam. Não se contêm.
E ela provoca.
Porque sabem que nunca se sabe quando ela poderá precisar deles de novo.

domingo, 8 de março de 2009

Fina Flor

Começo a entender o universo das 'fatais arrebatadoras'.
Não que eu seja uma. Nem quero. Aliás, estou bem longe disso!
Mas acho que não é tão difícil aprender a ter aquelas crises de sobrancelhas erguidas e postura empinada.
Sim. Ações sutis com requintes de crueldade. Às vezes inconsciente.
Mas nem todas são maquiavélicas por opção.
Faz parte da doce natureza feminina.

Pensamento Crítico

Na 'Terra em que se plantando tudo dá' desenvolveu-se a cultura da imagem e da facilidade.
Ler demora muito. O telejornal traz a notícia mastigada, interpretada, direcionada. As pessoas não se dão mais ao trabalho de debater acerca de nada. De refletir sobre o que acontece.
Até a imaginação já está aposentada. A TV que mostra os fatos, desfaz nas fotos (animadas) a magia do descobrir, do imaginar, do inventar, do permitir.
Tudo é proibido. Tudo é feio. Tudo é errado. Certo, bonito, apropriado é o que vende na TV. É o que vem de fora. É o que vem pronto. Pré-fabricado.
E, nessa hora, ninguém se preocupa em se lembrar da ''lei do uso e do desuso''. O que usa, evolui, desenvolve. O que não usa, atrofia, se perde.
E depois ninguém sabe porque as crias da 'mãe gentil' não são como antigamente. Não são mais crianças, não sabem brincar, não sabem imaginar, não sabem sorrir.
A TV aliena e atrofia, distorce a realidade, destrói a magia de descobrir como se vive a vida. Como se cresce sem acelerar o processo. Como se chega a uma felicidade que não há dinheiro no mundo que pague.

...pense nisso.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pimenta Rosa.

Paciência nunca foi seu forte. Mas detestava bate-boca. Até conversava. O problema era quando perdia a cabeça. Nunca levou desaforo pra casa. Nem vai! Isso ela não muda. Mas, de uns tempos pra cá, talvez por amadurecimento (ou por velhice, mesmo) resolveu ser racional. Ainda fala sem pensar. Agora, já com menos freqüência. O que aprendeu foi a desistir de discussões em vão. Ela sabe que, no fim, acaba perdendo a razão. E prefere evitar.
O "inferno astral que precede o aniversário" dela não passou. Curiosamente, se atrasou. E se estendeu por mais de um mês. Qualquer motivo bobo a fazia soltar fogo pelas ventas. Antes, durante e depois da TPM. Fase ruim. Momento difícil. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo. Mas, como sempre, dava um jeito de resolver.
Triste era o momento em que ela ficava só. E recordava. E remoía. E ressentia tudo aquilo o que ela havia falado. Mais que isso, o que a deixava pior era o que tinha lido e ouvido. Eles não conseguiam entender o quanto aquilo tudo a fazia sofrer.
Mas o que eles não sabiam é que ela nunca se deixa abater. "Levanta. Sacode a poeira. Dá a volta por cima." Cresce. Aparece. Volta a ser Pimenta.
Abafa. Abstrai. Distrai. Mas não esquece. Porque as palavras que causam dor e que abrem feridas são as mesmas que curam e calejam. E não permitem repetir o erro.
Ela ainda erra. E o fará sempre. Mas cada vez de uma forma diferente. Porque ela sabe aprender, se arrepender e corrigir.
A Pimenta que arde de dentro dela não é como as outras. É mais sensível. Mais sutil. Mais delicada.
A Pimenta dela é Rosa. Mas não leva desaforo pra casa. Porque antes de ser Rosa ela é Pimenta.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Carinho imenso.

Ela cumpriu sua missão.
Ou parte.
Abriu-lhe os olhos.
Renovou-lhe o coração.
Sabia que ainda tinha muito a fazer.
Mas já se sentia realizada por vê-lo crescer.
Ele merecia.
Sempre mereceu.
O que ela fez por ele os surpreendeu.
Era um sentimento novo, que mudava a cada dia.
Mas não seria diferente.
Como ela, ele sabia.
Dentro dele tudo se renovava.
Dentro dela uma certeza se firmava.
E acalmava.
Nos corações, levavam a marca daquele sentimento.
Ora alívio.
Ora tormento.
Juntos, venciam a dor.
E a transformavam em alegria e calor.
Os laços se estreitavam sempre mais.
E eles se acomodavam num carinho que satisfaz.
Carinho imenso, bonito, intenso.
Carinho que segue e os persegue.
E os perseguirá até a vida terminar.

domingo, 1 de março de 2009

Camaleão.

'De onde você é?'
Ele já se acostumara à pergunta. E a resposta já era automática, sempre a mesma, e vinha bem acompanhada de um sorriso contagiante. Ele sabia que bastaria um pouco mais de conversa para seu sotaque se fazer notar. Era diferente, misturado. Deliciosamente curioso. Acolhedor, por assim dizer.
Simpático e comunicativo, ele se adapta a qualquer lugar, qualquer grupo, qualquer situação. Até das desconfortáveis ele sabe se desvencilhar. Sua alegria espalhafatosa e sua extroversão aquariana o tornam quase um camaleão: extremamente adaptável.
Jogo de cintura. Transparência. Delicadeza. Argola prateada. Olhos (quase) verdes. E um sorriso de menino. Manemolência. Perspicácia. Habilidade. Capta o sentido da vida através de palavras e imagens. Gesto manifesto. Sutileza. Dono de uma beleza impossível de explicar.
Sensível, ele até se esconde por trás do sempre presente falatório. São poucos os que o conhecem como ela.Ela se propôs. Ele se dispôs e abriu o coração para ela. Ele se expôs e confio nela como jamais havia confiado em si mesmo.
Ele se surpreendeu, pois ela lhe mostrava um ''novo eu'' que ele insistia em não ver. Ele confiou e acreditou nela. E, aos poucos, se tornou o homem que sempre sonhou ser.

(Detalhe: aquela música da Céu...)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Outra.

Ponta da mesa. Motivo do calor que esquenta o sangue e o faz subir. Coração acelera. Respira fundo pra acalmar. Esquece. Ignora. Abstrai. Olha pro lado e conversa pra não pensar. Vê, mas finge que não. Olha de lado pra não levantar suspeita. Ergue a sobrancelha. Se irrita. Profundamente. Mas finge que não. É superior. Não precisa disso. Os que sabem, em volta, se agitam. Provocam. Perturbam. Irritam. Mas ela não se deixa levar. O sangue sobe, o rosto cora. E, por dentro, ela chora de tanto gargalhar. Pra completar, o confronto. O encontro. O evitável que não se pôde evitar. Disfarce. Fingimento claro. Quase cinismo. Sangue frio. E ela sorri para não deixar claro para a outra o que está fixo em seu olhar. Ela disfarça e consegue. Sabe que todos em volta percebem, mas não se deixa abalar. Ela é superior e não precisa de provas. Ela se conhece. Se garante. E, lá no fundo, se diverte com a única implicância de toda a vida. Ciúme? Talvez... chame como quiser.
Ninguém no mundo além dela pode entender o que é.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Carta para um velho amigo.

Às vezes a gente se arrepende antes mesmo de fazer as coisas. Não se chega nem à metade da idéia e lá vem o arrependimento. Mas tudo bem... eu sou teimosa, mesmo. E, arrependida ou não, não vou deixar de te escrever. Nem motivo tenho. Na verdade, eu deveria me preocupar mais com os cupins que devoram as lembranças guardadas na minha estante. Mas abrir uma 'caixa-pasta' com palavras e desenhos que representam boa parte de uma vida inteira me fez parar.
Papel e caneta nunca me faltam, bastou olhar em volta e escolher um lugar em meio às recordações espalhadas em cartas, cadernos e agendas pelo chão.
Minhas paciência e alergia agradecem a pausa. Mesmo que pequena. O horário de me arrumar pra sair pode esperar. Palavras que surgem do coração não podem ficar guardadas muito tempo.
Passar os olhos pelos antigos traços trocados fez reviver quase todos os momentos desde o começo. As diferenças; as mudanças; as risadas; as conversas eternas, infinitas e deliciosamente intermináveis... as brincadeiras; os sorrisos; os momentos todos inesquecíveis. E a distância que veio. Que afastou. Que machucou. Mas que, no fundo, nunca nos separou.
E por mais que me doa recordar tudo isso sem você (porque não somos mais os mesmo de antes. Nem seríamos se quiséssemos) me traz uma energia nova reviver toda a nossa infantil alegria, toda aquela magia do mundo novo que criamos exclusivamente para aquela época das nossas vidas.
Dói relembrar como éramos e ver que hoje somos muito diferentes daquilo o que parecia perfeito,mas, ao mesmo tempo, acalma pensar que já fomos guarda-chuva em tempos de tempestade um para o outro.
Dói a saudade da distância, mas reanima a saudade do que passou. Fomos gêmeos de alma, irmãos de coração. E soubemos viver nossas vidas entrelaçadas enquanto foi possível.
Nunca te esquecerei, mas farei questão de me lembrar de você enquanto meu super herói favorito. Aquele que sempre apareceu na hora certa e ficou o tempo que foi preciso. Aquele que protegia meu coração da tempestade e só fechava o guarda-chuva depois que todas as nuvens se dissipavam. Aquele que ganhava tardes ao telefone depois de uma manhã inteira de bilhetinhos. Aquele que desenhava o mundo que tínhamos criado para nós. Aquele que será, para sempre, o meu Capitão Super Herói favorito. Aquele que é feito de Papel.

Os mais sinceros votos de felicidade plena da velha amiga que espera não se mumificar no seu, agora distante, coração.

Coisas pra você.

Talvez você se lembre... antes de apertarmos os laços, eu queria uma desculpa pra falar com você. E consegui umas piadas muito ruins numas revistas antigas. Nem era nada demais, mas eu fiz questão de dizer que tinha ''coisas pra você''. Demorei a entregar, mas valeu a pena. Foi a melhor recompensa que eu poderia receber: Boa Viagem, pôr-do-Sol e frio na barriga pela segunda vez. Era cada vez mais gostoso ficar com você.
E hoje, um ano e meio depois do nosso ''segundo beijo'', eu me lembro de você com uma simples lista de piadas ruins que achei arrumando a estante enfestada de cupins. E paro tudo o que estou fazendo só pra te escrever. E deixar registrado mais uma vez o quanto eu sou grata àquela ingrata ''piada do ventilador'' que me abriu os olhos e me fez ser a mulher mais feliz desse Universo inteiro só por ter você do meu lado e poder dizer todos os dias e com todas as letras: EU AMO VOCÊ!

Anseio.

É praga.
Só pode ser praga! ¬¬
Nada funciona quando fazem isso.
É terrível!
Preciso sair.
Preciso fugir.
Preciso mudar.
Me mudar.
Pra outro mundo.
Outro lugar.
Onde eu possa viver...
respirar...
sossegar...
seguir meu caminho em paz.
Nada funciona.
Nada adianta.
Nada sobrevive dessa maneira.
Preciso de paz.
Olho grande nunca mais!
Tempo, passe.
Me cresça.
Me leve.
Me salve.
Me carregue.
Me livre.
Me leve daqui.
Pra qualquer lugar.
Onde eu possa, pelo menos, respirar.