Confesso, em algum lugar me afeta ter que ouvir e rir de tudo isso. Talvez eu realmente quisesse estar em um lugar diferente do que estou.
Sua paixão é clara e, ainda que doce, explícita. Mas, mesmo assim, não cabe a mim corresponder. A verdade é que você não se encaixa nos planos que eu fiz pra mim e não acho que seja justo te aprisionar a uma vida que não te cabe meramente por capricho.
Não posso te privar de fazer outros planos, de querer alguém que te faça feliz, de me esquecer. Você é o tipo de pessoa que merece ter sempre um motivo pra sorrir. E deve buscá-lo, sim!
Mas o meu egoísmo me traz em amarras tão surreais, que me vejo sem direção quando penso em você.
Tudo o que sei é que te quero sempre sorrindo. Te quero a pessoa mais feliz desse mundo. Te quero meu eterno ombro amigo, meu porto seguro. Te quero comigo. Te quero.
Então descubro que, todo esse tempo, o meu maior defeito foi te querer.
Mas agora me parece tarde. Tarde pra mim, porque, ainda que aos poucos, você foi ocupando o seu coração e reduzindo o meu espaço dentro dele. Tarde pra você, porque, mais uma vez, no auge do meu egoísmo, eu te deixei de lado. Tarde pra nós, porque talvez já não haja mais tempo.
E o que nos resta quando não há mais tempo? Fugir? Fingir? Desistir?
Eu desisto, desisto de fugir e de fingir. E assumo: eu te quero aqui.
Estou na porta de casa, brincando com as chaves. Até quando você vai demorar?