segunda-feira, 8 de março de 2010

Não,

ele nunca vai imaginar o quanto me corrói por dentro a sensação terrível de não poder não dizer não.

Meia vida.

Mesmo não sabendo administrar, não conseguiria viver sem todas as minhas metades opostas.

Oito de março.

Nunca havia me sentido tão mulher.
Mesmo num dia como hoje.

O rito

Duas vezes por ano o ritual se repete. Algumas caras mudam, outras jamais deixarão de estar lá.
Mas a sensação é sempre a mesma: ainda falta um pedaço pra valer a pena completamente.

Descoberta

Triste é descobrir que os parecidos podem ser o completo oposto.
E o que se julgava complementar não passou de mero enfeite.

sábado, 6 de março de 2010

~ Panamá

Com seu chapéu panamá e a camisa listrada aberta, ele coleciona marcas de batom que recebe pelo caminho.
Boêmio como nenhum outro jamais será, se compara aos grandes sambistas que escreviam suas histórias em versos de músicas que arrebataram o morro e o asfalto. Frequentador dos melhores bares da cidade, com seu jeito expansivo e comunicativo vai conquistando espaço sorrateiramente.
Não há moça que não reconheça, mesmo de longe, seu jeito de andar, falar, sorrir e olhar enquanto conversa. Carinhosamente, trata todas como verdadeiras damas. O Malandro sabe que, assim,  terá abrigo e um bom par de pernas sempre que se sentir solitário.
O verdadeiro Malandro caminha como que dançando, conversa como que cantando, sorri como que encantando a vida ao redor. Dessa maneira, vai sobrevivendo, superando as descidas e subidas nas ladeiras da vida.
Mesmo assim, seu sincero coração deseja sempre mais que cerveja, boa música ou uma moça para passar o tempo. Malandro que se preza não abre mão de uma nega que o espere toda noite no barracão, com uma panela de feijão no fogo e uma saia de fazer virar o pescoço dos que a vêem de manhã na feira. Malandro que é malandro só sossega quando encontra a Nega que se propõe a curar suas noites de bebedeira na boemia sem se queixar, que o acompanha à gafieira nos fins de semana, toda rebolativa, dançando a noite inteira e que faz uma boa feijoada no domingo pra reunir os camaradas.
Mas, no Carnaval, nem a Nega o espera. Ela o aceitou sabendo que o que a espera é uma camisa listrada faltando um botão e com algumas manchas coloridas pra tirar, um velho chapéu panamá com a aba dobrada pra acertar e um Malandro cansado de tanto sambar.

Pela janela.

Hoje vi passar por mim, por uma pequena janela, a personificação do sentimento eterno.
Com seus inconfundíveis óculos escuros redondos e seus cabelos jovialmente arrepiados, pela janela em que o vi pude sentir, mesmo de longe, o calor do seu incomparável gesto.

sexta-feira, 5 de março de 2010

~ massagem

sua presença abranda os sentidos.
suas mãos macias acalmam a correria do dia.
seu toque suave relaxa os nervos, antes à flor da pele.
seu carinho leve faz sentir o perfume de estar em paz.
os sentidos se confundem na sua presença.
leveza, calma, suavidade.
massagem para o corpo que se desarma delicadamente.
massagem para a alma que se eleva ao infinito.
sua presença abranda os sentidos.
sua massagem faz flutuar.

~ vidas paralelas

de um lado, um futuro promissor, definido, todo arquitetado para funcionar.
do outro, sonhos alimentados às escuras, no breu do proibido.
de um lado, certezas firmes.
do outro, vontades insanas.
de um lado, duas almas entrelaçadas por amor.
do outro, duas almas atormentadas pelo desejo.
de um lado, segurança.
do outro, aventura.
de um lado, tranquilidade.
do outro, noites insones.
vidas paralelas que se unem dentro do mesmo coração.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Natural

quatro ventos. sete mares.
todos os lugares me levam a você.
os ventos me sopram seu cheiro de longe,
os mares me mostram seu sorriso refletido.
a natureza conspira a nosso favor.
tudo em volta é moldura para o nosso amor.
você, mesmo distante, me desnorteia
me tira os pés do chão
me faz sonhar...
quatro ventos. sete mares.
todos os elementos me levam a você.
a natureza conspira a nosso favor.
nada mais naturalmente eterno que o amor.