quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não.

Mesmo depois de tanto tempo, a conversa fluiu quase que naturalmente. Talvez em função de toda a naturalidade aparente, acabou por tomar um rumo que não devia, ainda que fosse esperado...
- E você? Ainda me ama?
Ela gelou. Sentiu o coração bater no fundo do estômago e na garganta ao mesmo tempo. Não esperava que a questão fosse exposta tão explícitamente. O que responderia? Nem pensou, foi sincera:
- Não sei responder.
- Não sabe ou não quer?
- Não sei, juro que não sei!
- Então isso é um não?
- Não é...
- Mas também não é um sim.
- Também não...
E um silêncio eterno de dois segundos perfurou ambos os corações. E ele inisitiu.
- Só responde se você me ama.
- Ah, não me olha assim...
Mesmo através da tela, os olhos entristecidos dele marejavam os dela. Respirou fundo.
- Se você não tem coragem de dizer, eu digo. EU TE AMO! Mesmo depois de tanto tempo sem te ver, sem te tocar, eu ainda carrego comigo aquele sentimento de quando nos conhecemos. Ainda me lembro do seu gosto e do seu cheiro. Ainda penso em você da mesma forma. Ainda quero ter você do meu lado.
Não se conteve. Antes que se debulhasse em frente à câmera, o interrompeu:
- Mas éramos tão adolescentes! O que poderíamos fazer? Você consegue me dizer?
- Não sei. E já não importa mais. Hoje não somos mais adolescentes...
- E o que podemos fazer?
Dessa vez, o silêncio foi maior e mais pesado que o anterior, dilacerando os corações expostos àquele sentimento tão antigo e tão presente. De um lado, a saudade de tudo o que não foi vivido. Do outro, um coração solitário implorando por carinho.
A inquietação tomou conta e não conseguiram mais controlar as palavras...
- Diz que você ainda me ama. Eu posso sentir. É real. Eu sei que é real.
- Não.
- Diz...
- Não. Estou dizendo: não.
- O que?
- Estou te respondendo. Não. Não te amo.
Ele ficou atônito. Não esperava uma resposta negativa. Aliás, nem esperava uma resposta tão rápida e muito menos decidida. Não soube o que responder.
- Mas...
- Como eu posso amar uma pessoa que não conheço?

(continua)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Príncipe

Teu cabelo dourado é meu raio de sol.
Meu céu são teus olhos azuis.
A luz que ilumina meu dia vem do teu sorriso.
Vem, faz de mim tua princesa,
me toma pela mão e me leva além desse mundo.

I feel you.

E todo rosto que eu vejo na rua tem os teus traços, o teu olhar, o teu sorriso, o teu jeito.
E toda voz que me chama com carinho é a tua dizendo que me ama.
E toda lágrima que faz meu coração doer cai dos teus olhos e afoga os lábios teus.
E todo pesadelo teu é minha noite em claro, velando teu sono.
E todo vazio que eu sinto no meu dia é falta de ti.

domingo, 13 de junho de 2010

Gibiers de potence

Condenado à forca, o Poeta entristeceu-se. Não poderia mais transitar livremente pelas ruas da cidade recitando suas canções e poemas às belas mulheres por que passasse pelo caminho.
Vagava sem rumo pela noite, entristecido, cabisbaixo e sem vontade de seguir. Não cantava, não compunha, não dançava, não escrevia, não sorria... não tinha forças para ser alegre. Seguia triste.
Até que um rouxinol abriu as asas sobre ele e lhe trouxe de volta as cores da vida. Esvoaçante, a Cigana tomou o Poeta pela mão e dançou com ele. E dessa dança nasceu um lindo girassol. E o Poeta sorriu.


Desde então, não parou mais de sorrir e de compor. Livre do destino cruel, o Poeta vivia cada dia como se fosse o último, único dia de sua vida, e já não chorava mais. Aprendera o sentido real em se viver e acompanhar o colorido dos dias.
E toda noite, madrugada ou manhã, quando se deitava, antes de dormir, o Poeta se lembrava daquele girassol que nasceu do rodopio da saia da Cigana...

Saudade

A chuva que molha o rosto é de lágrimas. O frio que impede o sono é a solidão. Juntos, ensinam o significado não das palavras, mas de todo sentimento.
Estar só não significa não ter ninguém, mas mostra o quanto é vital estar perto.
Ao menor sinal de carinho, o coração acelera, as mãos gelam, as pernas tremem, falta o ar... e o peito é preenchido por uma sensação sem nome, sem descrição, sem tradução.
Ao somatório de tantos sinais, mesmo sem ainda compreensão total, ao longo dos séculos, se tem chamado saudade.

sábado, 12 de junho de 2010

Quer me namorar por um dia?

Imagine se você pudesse voltar no tempo e fazer uma coisa diferente.
Imagine se você pudesse ser minha mais uma vez.
Imagine se nós tivéssemos fugido juntos naquele dia.
Imagine como seria diferente.

Imagine se eu estivesse batendo na sua porta agora, com um buquê de rosas.
Imagine se eu te abraçasse.
Imagine se estivéssemos juntos agora!

Vem abrir a porta pra mim?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

- what if...

Ela está sempre insatisfeita. Não sabe o que quer. Ou sabe: quer tudo! Quer sempre o máximo, sempre o melhor.
Não quer ter que escolher. Ainda assim é seletiva. Não quer tudo o que aparece, sabe escolher. Quer tudo o que lhe interessa.
Se arrepende de algumas escolhas que não pode voltar atrás, mas abraça de corpo e alma as oportunidades que tem de crescer e ser melhor.
Ela tem potencial, ela sabe o que pode fazer. E faz!
Muitas vezes se pega pensando no que poderia ter feito se abrisse mão de uma vontade por outra. Chega a se chatear um pouco... mas o que move seu mundo é o pensamento do que aconteceria se ela não tivesse tanta vontade.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O beijo

E no meio de uma briga, depois de ouvir coisas que jamais imaginara, ele a segurou com carinho e firmeza e a beijou.
Resistente, ela tentou fugir, mas ele insistiu e ela cedeu. Se rendeu ao carinho maior que a fizera se apaixonar perdidamente e esqueceu toda a raiva que sentia.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Les Gargouilles

Choro. Tenho o coração apertado, entalado no peito. Mal respiro. Soluços me consomem desde o começo da noite. A lua brilha intensamente e as estrelas são como inúmeros olhos a me observar de todos os lados.
No chafariz da praça, ao redor de suas inquietas águas, os Ciganos se reúnem e dançam. A alegria daqueles corpos livres me entristece. Por isso choro.
Além das minhas Marias adormecidas, não tenho outra companhia que não as Gárgulas do alto da Torre da Catedral. E a elas me dirijo.


Mesmo sem dizer palavra, as Gárgulas me ouvem e parecem compreender a minha dor. Vivem o mesmo sofrimento de não poder sair dali e dançar na alegria dos Ciganos que habitam a praça.
Presos, incorporados à Torre da Catedral, as Gárgulas e eu não temos outra escolha além de observar. E desejar estar ali. E invejar aqueles seres livres que rodopiam, festejam, se alegram e mais que tudo: vão aonde querem.

Sim.

Eu vivo o universo que você cria.
Eu sou aquela que nunca corresponde.
Eu sei cada sentimento que passa pelo seu coração.
Eu estou aqui, mesmo que você diga não.

Em resposta a um estímulo vindo de um canto qualquer.