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domingo, 24 de outubro de 2010

Carta para o meu primeiro amor (correspondido)

Quando nos conhecemos, eu era muito nova pra saber o que é o amor. Mas no instante em que nossos olhares se cruzaram no meio daquela multidão, eu tive certeza de que era com você que eu ia descobrir.
Éramos dois adolescentes, vivíamos em um mundo colorido de conto-de-fada. Tínhamos um ao outro e não precisávamos de mais nada. E aí veio a realidade.
Vivíamos em contextos diferentes. Eu terminando o colégio e você já começando a faculdade. E aí veio a distância. Mas, até então, nada que um telefonema ou uma mensagem de texto vez ou outra não resolvessem. Até uma carta eu me lembro de ter escrito e mandado, à moda antiga, pelo correio, pra sua casa. E aí vieram as responsabilidades.
E, aos poucos, fomos perdendo o pouco contato que tivemos. E começamos a fazer outros planos, ver o mundo de outra maneira e seguir caminhos completamente diferentes do que imaginamos. E aí vieram as dúvidas.
Mesmo à distância, e já sem contato, duvidamos que conseguiríamos. E aí veio a fraqueza. 
E, de fato, desistimos. E fizemos outros planos. E nos esquecemos um do outro. E aí veio a saudade.
Muito tempo depois, por obra do acaso ou do divino, tivemos oportunidade de trocar meia dúzia de palavras. E até hoje me lembro da carta que você nunca respondeu, apesar de tantas promessas... E aí veio a lembrança.
E toda vez que ouço aquela música ou vou àquele lugar, é de você que eu me lembro. E é assim que tem que ser até que venham as próximas sensações.


Em algum lugar do meu coração você ainda é o mesmo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Apenas uma canção

E mesmo depois de cinco (longos) anos desde a primeira vez, aqueles acordes ainda têm o mesmo poder de apertar e disparar este pequeno coração.
Toda vez que ouço aquela música, a nossa música, o coração dispara. Sinto um sei lá o quê que não tem controle e vem de dentro e parece que não passa nunca. E sei que você sente o mesmo.
Tudo o que vivemos e quisemos viver juntos ainda está por perto em algum lugar que somente nós podemos alcançar. Tudo o que desejamos ainda permanece por aqui. Tudo o que fomos pelos olhos um do outro sempre existirá.
Prometa que não vai desistir daquele sonho que, um dia, dividimos. Prometa que vai sempre pensar em mim. Prometa que vai permanecer aqui... no meu coração.

E toda canção que eles cantam toca o meu e o seu coração...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não.

Mesmo depois de tanto tempo, a conversa fluiu quase que naturalmente. Talvez em função de toda a naturalidade aparente, acabou por tomar um rumo que não devia, ainda que fosse esperado...
- E você? Ainda me ama?
Ela gelou. Sentiu o coração bater no fundo do estômago e na garganta ao mesmo tempo. Não esperava que a questão fosse exposta tão explícitamente. O que responderia? Nem pensou, foi sincera:
- Não sei responder.
- Não sabe ou não quer?
- Não sei, juro que não sei!
- Então isso é um não?
- Não é...
- Mas também não é um sim.
- Também não...
E um silêncio eterno de dois segundos perfurou ambos os corações. E ele inisitiu.
- Só responde se você me ama.
- Ah, não me olha assim...
Mesmo através da tela, os olhos entristecidos dele marejavam os dela. Respirou fundo.
- Se você não tem coragem de dizer, eu digo. EU TE AMO! Mesmo depois de tanto tempo sem te ver, sem te tocar, eu ainda carrego comigo aquele sentimento de quando nos conhecemos. Ainda me lembro do seu gosto e do seu cheiro. Ainda penso em você da mesma forma. Ainda quero ter você do meu lado.
Não se conteve. Antes que se debulhasse em frente à câmera, o interrompeu:
- Mas éramos tão adolescentes! O que poderíamos fazer? Você consegue me dizer?
- Não sei. E já não importa mais. Hoje não somos mais adolescentes...
- E o que podemos fazer?
Dessa vez, o silêncio foi maior e mais pesado que o anterior, dilacerando os corações expostos àquele sentimento tão antigo e tão presente. De um lado, a saudade de tudo o que não foi vivido. Do outro, um coração solitário implorando por carinho.
A inquietação tomou conta e não conseguiram mais controlar as palavras...
- Diz que você ainda me ama. Eu posso sentir. É real. Eu sei que é real.
- Não.
- Diz...
- Não. Estou dizendo: não.
- O que?
- Estou te respondendo. Não. Não te amo.
Ele ficou atônito. Não esperava uma resposta negativa. Aliás, nem esperava uma resposta tão rápida e muito menos decidida. Não soube o que responder.
- Mas...
- Como eu posso amar uma pessoa que não conheço?

(continua)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Príncipe

Teu cabelo dourado é meu raio de sol.
Meu céu são teus olhos azuis.
A luz que ilumina meu dia vem do teu sorriso.
Vem, faz de mim tua princesa,
me toma pela mão e me leva além desse mundo.

sábado, 24 de abril de 2010

pensamentos soltos

Às vezes me pego pensando naquele telefonema que eu nunca recebi, nas cartas que nunca me foram escritas... nas palavras que nunca foram ditas.
Outras vezes penso nas mensagens que nunca enviei ou nos pensamentos que nunca contei.
Me lembro dos beijos que não aconteceram e das mãos que se soltaram, dos dedos que nunca mais se entrelaçaram.
E é quando me vejo afogada nesses pensamentos, que percebo a falta que você me faz.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Saudade não tem tradução

raramente se encontravam na rede. nunca trocavam emails, que dirá telefonemas. até que um dia o telefone dela tocou. era um número grande, diferente. e começava com o código da cidade dele. gelou. seu coração acelerou. e antes de pensar em qualquer coisa, atendeu à ligação quase que sem respirar. a voz trêmula do outro lado da linha indicava que ele também não esperava ouvi-la tão rapidamente. perguntou como ela estava e  esperou resposta. ela sorriu e disse que estava bem, mas logo quis saber o motivo da ligação inesperada. ele não soube dizer. ligou por ligar, apenas para ouvir a voz dela. sentia saudade. e ela também. ainda agora não se sabe quem disse isso primeiro. talvez tenham dito ao mesmo tempo, ou nem precisaram dizer, pois partilhavam aquele sentimento que aperta o coração. e o silêncio reinou. queriam saber tudo, mas não tinham coragem de perguntar nada. ou não conseguiam formular frase devido à rapidez com que seus corações batiam e seus hormônios se movimentavam. conversaram sobre coisas comuns, aquelas que se conversa com qualquer pessoa que pergunte 'como vão as coisas?'. mas queriam mais. ambos queriam saber a mesma coisa, mas não tinham coragem de perguntar. até que ela, após mais um longo silêncio, juntou forças e a pouca coragem que tinha e disse: 'e quanto a nós dois?' ele, sem graça, e sem resposta, balbuciou qualquer coisa como quem não entende o que foi perguntado e ela tentou mais uma vez. 'e quanto a nós? por que nunca aconteceu? eu sentia tanto carinho por você, tanta vontade de ficar junto... tanta coisa ao mesmo tempo. ainda não entendi porque perdemos o contato tão bruscamente. sei que seria difícil assumirmos um compromisso, por causa dessa maldita distância. mas não queria ter perdido você. nunca quis...' ele ainda não sabia o que dizer, mas respirou fundo e reagiu tão depressa que até se assustou com o que disse: 'eu ainda te amo!' sobrou um silêncio que ecoou dentro deles por mais um tempo. até ele repetir as mesmas palavras: 'eu ainda te amo! e também não consigo entender o que aconteceu com a gente. eu também queria, sempre quis você por perto, te abraçar, cuidar de você todos os dias... mas sabia que não poderia. vivíamos realidades muito distantes, não seria possível. e eu desisti. relutei, chorei, sofri. pensei em você noites inteiras, em claro, tentei te ligar e não tive forças...  até que não tive mais coragem. deixei sufocar esse sentimento tão intenso que eu carreguei comigo desde a primeira vez que te vi, naquele dia, em meio a tantas outras pessoas. você morava em todos os meus sonhos. não teve uma noite sequer que eu não tenha sonhado com uma vida ao seu lado. mas eu fui fraco, tive medo, desisti.' e ela sentiu uma lágrima cair. contou que sonhara com ele tantas vezes que perdera a conta. ela tinha chegado a escrever para ele, mas nunca teve coragem de enviar os seus escritos. sofreu, chorou, relutou tanto quanto ele por esse sentimento que surgira em meio ao nada, numa viagem para longe. tudo o que ela queria, quando fez aquela viagem, era se desligar da vida que levava no seu mundo. conseguiu. só não esperava voltar querendo uma vida que foi obrigada a deixar lá. disse a ele que não sabia mais o que sentia. e que também havia desistido. a última frase dele disse tudo o que foi guardado durante cinco anos nos dois corações:  'hoje pensei tanto em nós dois que não podia deixar pra depois e eu vim aqui só pra dizer que eu sou louco por você'. ela entendeu o recado. e choraram juntos. aquele sentimento de tantos anos não havia se perdido, continuaria na memória daquele jovem casal por toda a vida. cada um seguira seu caminho, construíra uma nova realidade, mas jamais deixaria para trás o calor daqueles dois dias em que se conheceram e se apaixonaram. tudo o que eram, dependia, em alguma parte, do que foram juntos. desligaram o telefone com a incerteza de se encontrarem mais uma vez. mas com uma certeza: jamais esqueceriam um do outro.

(ao fundo, tocava Rosa de Saron)