sexta-feira, 7 de maio de 2010

La Gitane

Ela se faz poesia para os olhos que a vêem,
ritmo para o corpo que a toca,
música para os ouvidos de quem a ama.

 A Cigana se entrega suavemente a um amor inesperado por aquele que salvou a sua vida.
O Tocador de Sinos alcançou a sua alma quando a olhou nos olhos pela primeira vez.
E hoje ela reflete o sentimento daquele olhar profundo por onde passa, irradiando amor no colorido dos movimentos leves de sua dança.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Poeta

Ele caminha pelas ruas da cidade, vivendo na boemia, amando todas as mulheres, cantando suas dores de amor.
O Poeta é o príncipe das ruas, respeitado e desejado como nenhum outro, nem mesmo o Soldado do Rei.
A magia da sua poesia alcança as estrelas e o coração das mulheres da cidade.


Às mulheres do amor, o Poeta oferece suas palavras em troca de carinho e calor humano nas noites frias.
Às vendedoras da feira, oferece sua música em troca do pão de cada dia.
Às mulheres dos seus sonhos, fora do alcance de suas mãos, oferece serenatas noite adentro em troca de sorrisos sinceros, mesmo à distância, através de suas janelas e sacadas.
O Poeta segue conquistando corações por onde passa. O que não espera é que seu coração seja, um dia, conquistado por outra que não a sua amada Lua, ou sua companheira boemia.
Até que, um dia, seu caminho se cruza com o de uma estrangeira, errante como ele, que o desperta para um novo modo de olhar o mundo e encarar o amor.
No momento em que leu o destino do Poeta na palma de sua mão, a Cigana tocou o seu coração.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Abre as asas sobre nós...

Liberdade é algo que vai além do que podemos alcançar nessa humanidade que temos.
Somos tão humanos, mas tão humanos que, mesmo livres, não sabemos que o somos. E buscamos sempre mais.
E é essa sede por mais, essa busca desenfreada por liberdade, que nos leva em frente e nos faz ver o mundo de possibilidades que bate a nossa porta todos os segundos.
Liberdade é mais que um sentimento, é uma razão de viver.
E só se alcança quando se tem algo de que se desprender.


Liberdade é desprendimento. Liberdade é desapego. Liberdade é sensação.
Liberdade é algo que buscaremos incessantemente, eternamente, constantemente. E seremos livres mesmo que não saibamos.
Liberdade é um abrir de asas transformador. Liberdade é elevação de alma.

Obrigada pela inspiração, amiga. Veio de um simples scrap.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Carta

Resolveu escrever-lhe uma carta contando tudo o que sentia. Estava angustiada com aquele turbilhão de sentimentos explodindo em seu pequeno coração e resolveu compartilhar.
Afinal, ele era o único que conseguiria entender o que ela sentia. Estavam juntos há tanto tempo que bastava um olhar pra ele saber do que ela precisava. 
Estava feliz e queria que ele soubesse que seus sorrisos eram a causa de tanta felicidade.
Ele estava longe, mas mesmo assim ela sabia que ele sorriria e se lembraria dela. E que a abraçaria quando chegasse como se houvesse acabado de ler as palavras dela. 
Na carta, não dizia muita coisa diferente do que ele estava acostumado a ouvir de sua boca no dia-a-dia, mas seus sentimentos escorriam pelos dedos até o papel. Dizia pouco, mas com tamanho significado que poderia ser apenas uma frase, mas como peso de uma enciclopédia.


Ela só queria deixar registrado o quando o amava e o quanto ele sempre fora importante em sua vida.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pedra preciosa

Tomou por marido o Poeta para salvá-lo de destino cruel.
Tomou pela mão o Soldado e o tirou dos braços de sua amada.
Tomou o caminho do Arcebispo e desviou seus olhos do Céu.
Tomou o coração às mãos e não soube que caminho seguir. Seu destino não a prendia ali, a levava além, ao horizonte, ao alto. O alto da Torre.
Seu coração a guiou até as Três Marias.
O Tocador de Sinos a observava pelos vitrais da Catedral, desde que cruzara as portas do templo. Ele não esperava olhá-la nos olhos, tão de perto, sentir o calor de sua respiração a o macio de sua pele em seus braços.
A bela Cigana não pôde conter o espanto ao mirar, através de um embaçado espelho, aquela figura disforme olhando para ela. Cobriu a boca com as mãos e abafou um grito de pavor. Se aproximou devagar enquanto ele se escondia nas trevas. Acariciou-lhe o rosto com as pontas dos dedos. Ele se assustou e a segurou pelos braços. Ela olhou dentro dos olhos dele. E se amaram através daquele olhar.
Se entregaram a um abraço terno e intenso. E a noite seguiu, silenciosa.


Acordou sozinha, coberta por pétalas de girassóis. Vozes graves e passos pesados a despertaram do sonho para a realidade que vivia. Procuravam por ela.
Com o coração na boca, pôs suas vestes e desceu correndo as escadarias da Torre. Não sem antes olhar, mais uma vez, para o sol que iluminava a Igreja através dos magníficos vitrais.
A trupe com que viera se despedia da cidade com festa e música, mas ela não podia sair dali. Finalmente encontrara o seu lugar. Ao mesmo tempo que ouvia seus amigos em festejos, se lembrava dos nomes que diziam os homens que procuravam por ela na Torre. E entristeceu-se. Não poderia continuar lá. Tinha de seguir com a trupe.
E a cigana partiu. Com o coração na mão e a lembrança doce do carinho de seu Tocador de Sinos.

A moça do vestido de flor

Não vejo a hora de te ver passar por mim, distraída, com os cabelos longos soltos ao vento, o vestido florido esvoaçante e o sorriso encantador que me tirou os pés do chão desde a primeira vez que eu vi.
Não, você não sorriu pra mim sequer uma vez, nem sabe da minha existência, mas meu coração vive aos saltos na esperança de te ver passar do outro lado da rua novamente.
Não sei onde você mora, de onde vem nem pra onde vai, sei que enfeitou meu dia ao dobrar a esquina no meio da tarde, quando eu olhava de esguelha o movimento na praça.
Fiquei paralisado com tanta suavidade que passava por mim, como brisa a me beijar os olhos lentamente.
Não quis saber de mais nada que não seus olhos verde-esmeralda e sua pele cor de jambo que me enfeitiçaram.
Não vejo a hora de te ver passar por mim com seu sorriso encantador que me tirou os pés do chão.

A morte numa taça

Injustiça.
Acusam-me erroneamente de um crime que cometi. Assumo, sou culpado. Mas as acusações são infames!
Carrego a culpa de trazer comigo a luz dos deuses e partilhá-la. Sou acusado de causar trevas ao partilhar a minha luz.



Injustiça! Infâmia!
Devolvam-me o direito à luz.
Não me permitiram defesa, amarraram-me pés e mãos, calaram minha voz, trouxeram-me a morte numa taça e bebi. Envenenei-me de sabedoria e a luz ofuscou-me as vistas.

(quadro A Morte de Sócrates, por Jacques-Louis David)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

La Zingara

Pele morena. Longos cabelos negros. Olhos verdes.
Vestido e lenço de seda vermelha dão vida aos movimentos suaves de sua dança. Argolas, anéis, colares e pulseiras de ouro seguem o ritmo da música que ela acompanha com os pés descalços.
Ela não pertence àquele lugar. Aquela praça é apenas passagem no caminho da bela moça.
Ela não pertence a lugar nenhum. Veio das montanhas e segue em direção ao horizonte. Ela segue as batidas do seu coração e caminha... caminha para nunca mais voltar ao ponto de partida.
Quer se encontrar. E só vai parar de caminhar quando estiver no lugar a que seu coração pertencer.
Lê o destino dos passantes na palma de suas mãos e dança para conseguir algumas moedas afim de continuar o seu caminho.
O que a bela moça não sabe é que o brilho de seus olhos e o movimento dos seus pés e quadris encanta os homens que a vêem dançar.
Do Arcebispo ao soldado do Rei, todos desejam a oportunidade de passar ao menos uma noite ao seu lado. Mas, de todos os homens que a cortejaram, somente por um o coração dela bate mais forte. Aquele que foi coroado tolo diante da cidade, aquele que é diferente, aquele que nunca foi amado... aquele que soa os sinos do alto da torre.

Pesar

A solidão e o vazio que ousaram se aproximar dela tomaram lugar onde não devia, no coração.
Ela sente a tristeza de não ser mais quem era e não agir como gostaria que fosse.
Ela sente o peso de decisões duras que precisou tomar.
Ela sente a fraqueza humana que a impede de seguir em frente.
Ela tem medo de não conseguir sair do fundo do poço em que caiu quando escorregou no orgulho que trazia no peito.
Ela se perdeu... não sabe mais se vai voltar.

domingo, 25 de abril de 2010

rompante

estava quase dormindo e despertei. as palavras me escapoliam feito borboletas raras. e não podia perdê-las. saí da cama num salto, busquei papéis e caneta. sempre em tempo de registrar os pensamentos fujões. comecei a escrever... perdi o sono.