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domingo, 11 de julho de 2010

Flor

E desde a primeira vez que em que os olhares se cruzaram, toda vez que se encontram a cena se repete: olhada de cima a baixo, ela percebe quando ele tenta disfarçar. E ainda há disritmia, ainda é o mesmo olhar, compaixão que não se esgota nem desvia.
De volta ao ninho, apesar de já não tão livre assim, o  Bem-Te-Vi parece enxergar na Flor o sentimento novo que ela carrega no peito. Talvez seu desejo mais profundo seja ser como ela, que apesar de enraizada, mudou o jeito de ver o mundo e a liberdade quando se entregou a um lindo Beija-Flor.
Não trocam palavras, não há comunicação que ultrapasse o limite do breve contato visual. Mas alguma vezes, não é preciso mais que uma troca de olhares...

e o headphone?

fita no tornozelo
(ele) direito
(ela) esquerdo

brinco na orelha esquerda.
óculos escuros guardados em algum lugar.
ombros (dela) e pés (de ambos) à mostra.

há coisas fora do lugar.

olhar maroto, disfarçado.
sorriso escondido no canto da boca.
cachos e tranças mal distribuídos (entre os dois).
(ele) nitidamente hipnotizado.
(ela) levemente superior.

há coisas no seu devido lugar.

o ar do inverno distorce a Praia.

quarta-feira, 10 de março de 2010

No bar,

descobri que algumas pessoas podem ser muito mais interessantes à distância.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

. headphone .

" você não sai da minha cabeça
e minha mente voa "

fita no tornozelo direito.
brinco na orelha esquerda.
óculos escuros quase máscara de Carnaval.
ombros e pés à mostra.
olhar maroto.
sorriso estampado no rosto.
ar veranista que compõe com a Praia.
água de coco. suco de fruta.

"
você não sai, não sai, não sai, não sai... "

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Bem te vi.

Toda vez que se cruzam, os olhares se encontram. Ele fixa os olhos nos dela. Ela estremece. Sustenta por um tempo, mas logo se lembra de sua condição. Enrubesce. Pisca. Obriga-se a desviar. Olhos, mente e, principalmente, coração e seus desejos.
Apesar da disritmia causada, não há gestos, não há comunicação, não há interação. Sobrevivem sem trocas. O único contato é visual, distante, por um fio não chega a ser impessoal.
Mas ela não se contenta. Quer (e espera) sempre mais do que sempre tem. Talvez seu desejo mais profundo fosse ser como ele. Abrir-se em asas de liberdade total. O desejo dele não sei. Talvez provocá-la inconscientemente. Com seu olhar e compaixão.
Ela se sente enraizada. E está. Mesmo assim, a
Flor insiste em confrontar a sua realidade com a do Bem-Te-Vi.

domingo, 8 de novembro de 2009

Arroz doce

Ele está em todas! Conhece muitas pessoas, se dá bem com a maioria delas e é sempre o primeiro a ser lembrado quando rola alguma festinha.
Só que, de uns tempos pra cá, tem se visto seguido de perto por um outro rapaz. Não tão conhecido nem tão querido quanto ele (ou pelo menos ainda não). Mas, certamente, alguém que lhe tem como exemplo e que espera ser, um dia, tão bom quanto ele.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Fruta de vez temporana"

Mulheres. Tudo o que se vê em volta dele são mulheres.
Pudera, com esse sorriso de menino, essa cor de pele e esse jeito descolado, não poderia ser difetente. Contrariaria a natureza humana.
Moreno, alto, dentes alvos, de pés quase sempre à mostra, esse menino desconcentra qualquer alma desavisada que cruzar o seu caminho.
Ar veranista, sorriso despretensioso, ah, dispensa comentários...
A Praia e o Casarão compõem muito bem a harmoniosa paisagem.