terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Espelho - parte I

Aos 60 anos, ela estava muito bem para quem tinha deixado tanta coisa para trás.
Arrependimentos, escolhas erradas, viagens perdidas... mas o que a levava em frente eram sempre as melhores lembranças. Do tempo que passou, não volta, mas ela guardou em tantos retalhos. Nas cartas, nas fotografias, nos recortes e, principalmente, no coração.
Um dia, como outro qualquer, em seu passeio pelo parque, se deparou com uma moça que se parecia muito com ela quando mais jovem. Vendo o sorriso e o jeito da menina sentada ao seu lado, não se conteve. Perguntou-lhe o nome e iniciou uma conversa agradável. A menina era educada e simpática, exatamente como ela fora quarenta anos atrás.

(...)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Personagem

Sim, ela é uma personagem de cinema mudo. Seus pensamentos e sentimentos escorrem pelos poros. Ela é absolutamente transparente e claramente decifrável. Mesmo à distância, dá pra ver, com riqueza de detalhes, o que se passa em sua cabeça e coração. O sorriso dela mostra, com tamanha beleza, a profundidade da sua alma. Os seus movimentos são dança sem som, poesia escrita no caminho por onde ela passa. Definitivamente, ela é uma personagem de cinema mudo. Suas expressões marcantes e gestos fortes pontuam a necessidade que ela tem de se comunicar com o corpo. Seu olhar a denuncia, projeta seus sonhos e desejos mais secretos num breve piscar. Ela é uma personagem de cinema mudo. Exceto por um detalhe: suas cores. Ela vai além do preto e branco e se arrisca num ousado cor de rosa.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

I be-live.

Eu acredito em alma gêmea e em eternidade.
Mas é preciso vontade e disposição para isso.

_calma alma minha

Minha alma se eleva. Ao mesmo tempo em que o oxigênio me invade, inflando-me os pulmões, a chuva que cai lá fora me inunda de sensações.
Minha alma se inquieta. Os uivos do vento, o clarão dos raios e as cores da chuva me perturbam.
No coração ecoam os ruídos dos trovões, como o canto dos desesperados.
Minha alma se esvai. Derrete com a chuva que arrasta suas certezas em vez de, simplesmente, lavar.

DESISTO!

Não quero que me compres presentes.
Não quero que te preocupes comigo.
Não quero que me telefones.
Não quero que me ofereças coisas.
Não quero que percas teu tempo pensando em mim.
Não quero que faças por mim nada que não for verdadeiro.

confissão

No começo era só implicância. Eu confesso. E você sabe disso.
Mas agora é quase um desejo de grávida, ainda mais com esse calor...
Tudo o que eu mais quero é um suco de caju!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Oh!

que visão!
você subindo a rampa acelera o coração.

. headphone .

" você não sai da minha cabeça
e minha mente voa "

fita no tornozelo direito.
brinco na orelha esquerda.
óculos escuros quase máscara de Carnaval.
ombros e pés à mostra.
olhar maroto.
sorriso estampado no rosto.
ar veranista que compõe com a Praia.
água de coco. suco de fruta.

"
você não sai, não sai, não sai, não sai... "

transparente

me pediram uma explicação pros meus sentimentos.
mas como eu saberia explicar?
me peguei viajando nisso e descobri que, nos meus devaneios, penso que seja algo em torno dessa fixação adolescente, de algumas desilusões, de algumas tristezas acumuladas, das chateações, do afastamento... essas coisas

todas juntas e misturadas dentro de um coraçãozinho que mal se agüenta
e as poucas amizades que eu fiz na faculdade
o medo de um mundo inteiro desmoronar na minha cabeça
as incertezas de um futuro muito próximo que vem correndo na minha direção, me encurralando, não me deixando escolha nem saída
mas enfim... são devaneios... ou sei lá. impressão
às vezes eu sinto como se um mundo inteiro pesasse nos meus ombros e pudesse me derrubar a qualquer momento
e é estranha a sensação
mas passa depois de um tempo
sim, as incertezas são normais. agradeço a Deus por elas. se eu tivesse certeza de tudo e acertasse sempre, não seria feliz nunca
x)~
as amizades... sei lá
quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que não criei laços suficientes pra um curto espaço de tempo que eu chamo de "o resto da vida"
é como se ainda faltasse um pedaço

uma parte essencial
que eu não sei qual é
mas que, na minha cabeça, deveria vir dessas tais amizades que eu pensei construir/cultivar/cativar.
mas não vem.
e eu continuo sem saber o que é que falta.

insistiram em perguntar-me o porquê das coisas. das obrigações que me imponho. das cobranças que me faço.
a resposta não seria outra que não medo.
tenho medo. assumo. reconheço. sempre tive medo.
nunca confiei o suficiente no futuro pra seguir de olhos fechados e ver onde ia dar.
sempre precisei de uma mão no ombro pra guiar o caminho. ou uma mão estendida pra me levantar.
o maior medo que eu sempre carreguei comigo é o da solidão.
eu não sou perfeita. nem quero ser. e sei que as pessoas me veem com meus defeitos também.
tenho medo de chegar o dia em que eles serão gritantes e aqueles que eu amo (porque o amor pode ser, sim, um sentimento unilateral se não se cultivarem as sementes corretas) vão me virar as costas.
tenho medo de acordar no escuro e não saber sair do lugar.
mesmo que algumas lembranças me mostrem uma certeza indiscutível de que nada disso acontecerá.
vai saber. são devaneios. quem disse que alguma parte disso tudo é real?

domingo, 22 de novembro de 2009

O sorriso

O Gato me sorri da Lua outra vez.


E, agora, com a cabeça do Coelho entre os dentes.
O que será que isso quer dizer?
Que os meus pensamentos estão sendo, ainda, consumidos?
Talvez...
Agradecerei se forem devorados e desaparecidos.