sábado, 27 de novembro de 2010

Carta para o velho, antigo e ultrapassado.

Queridinho,

Te odeio como antes.
Mas já não quero mais reatar ou fingir que nada aconteceu.
Não adianta, cada passo que tento dar a frente é como se você me empurrasse abismo abaixo sem tempo de voltar atrás.
Te odeio mais que antes.
E é uma raiva tão latente que me ata os pés e mãos e venda os olhos e não permite esquecer.
E a impressão que eu tenho é de que você acha tudo isso divertido e não vai parar até o fim.
Só que o fim está próximo.
E você, no seu ofício de ofender e discordar, não pode perceber.
O fim está próximo.
O jogo acabou.
E foi você quem perdeu.

Com um restinho de pena e todo o meu desdém,
A Dona da História

domingo, 24 de outubro de 2010

Carta para o meu primeiro amor (correspondido)

Quando nos conhecemos, eu era muito nova pra saber o que é o amor. Mas no instante em que nossos olhares se cruzaram no meio daquela multidão, eu tive certeza de que era com você que eu ia descobrir.
Éramos dois adolescentes, vivíamos em um mundo colorido de conto-de-fada. Tínhamos um ao outro e não precisávamos de mais nada. E aí veio a realidade.
Vivíamos em contextos diferentes. Eu terminando o colégio e você já começando a faculdade. E aí veio a distância. Mas, até então, nada que um telefonema ou uma mensagem de texto vez ou outra não resolvessem. Até uma carta eu me lembro de ter escrito e mandado, à moda antiga, pelo correio, pra sua casa. E aí vieram as responsabilidades.
E, aos poucos, fomos perdendo o pouco contato que tivemos. E começamos a fazer outros planos, ver o mundo de outra maneira e seguir caminhos completamente diferentes do que imaginamos. E aí vieram as dúvidas.
Mesmo à distância, e já sem contato, duvidamos que conseguiríamos. E aí veio a fraqueza. 
E, de fato, desistimos. E fizemos outros planos. E nos esquecemos um do outro. E aí veio a saudade.
Muito tempo depois, por obra do acaso ou do divino, tivemos oportunidade de trocar meia dúzia de palavras. E até hoje me lembro da carta que você nunca respondeu, apesar de tantas promessas... E aí veio a lembrança.
E toda vez que ouço aquela música ou vou àquele lugar, é de você que eu me lembro. E é assim que tem que ser até que venham as próximas sensações.


Em algum lugar do meu coração você ainda é o mesmo.

A quermesse

Tudo começou na quermesse. A lua já ia alta no céu e o forró aquecia a noite fria. Regados a alguns copos de quentão, os três amigos avistaram as três amigas e resolveram 'se enturmar'.
A aproximação foi sutil e, antes do final de seus copos, os três meninos já tinham suas professoras particulares de forró. Dançaram e riram, descompromissados, até o sol raiar. Trocaram telefones e promessas de reencontro.
E como toda boa quermesse, no último dia estava lotada. Curiosamente, se encontraram mais uma vez. E a grande surpresa foi ela estar sem as amigas. Ainda assim, se divertiu com os três rapazes, dessa vez sem forró, mas com muito quentão e sorrisos.
A noite terminou com o nascer do sol e muitas gargalhadas. Demorou pra ela se dar conta do que estava acontecendo, mas ele não parava de elogiá-la e querer estar sempre perto. E ela percebeu que sentia o mesmo.
Quando notaram, estavam sozinhos. E, por um instante, seus sorrisos se juntaram em apenas um.
Desde então, todo ano voltam àquela quermesse pra comemorar o que nasceu dali.

sábado, 23 de outubro de 2010

zéfiní

acabou o samba.
acabou a carne, a cerveja, a água pra botar no feijão.
acabou a farofa, o molho, o repolho.
acabou a salada e a sobremesa.
acabou a tarde.
acabou o sol, o céu azul e o passarinho cantando.
acabou o vento, a nuvem, a ferrugem.
acabou a graça e a praça.
acabou.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

~Carta para os meus pensamentos

Eu sempre soube que não seria adeus. Talvez, tivesse sido, hoje fosse mais simples seguir em frente. Os caminhos sempre foram entrelaçados, tanto a ponto de os laços se metamorfosearem em nós cegos que nenhum mortal conseguiria desatar. E não há quem, no mundo, me consiga fazer esquecer você e o tudo o que você representa pra mim.
Eu tenho em você mais que um reflexo, ainda que invertido, meu. Tenho como que uma parte de mim que fugiu antes que eu percebesse e reapareceu com tamanha doçura no brilho do seu olhar que nem se mede. Eu tenho na sua mão meu apoio e no seu braço o meu melhor abraço. O seu sorriso é sempre o meu sorriso. E a sua tormenta, causa e consequência da minha dor.
Eu sempre soube que não seria adeus, mas algum tipo de impulso que nos aproximaria as almas com mais intensidade.

domingo, 19 de setembro de 2010

~dos quereres insanos

Eu quero! Quero de verdade. Quero como nunca quis até então. Quero com o corpo. Quero com a mente. Quero com a alma. Quero com o coração. Eu quero! Quero sua mão na minha. Quero seu abraço. Quero seu perfume entranhado na minha pele. Quero seu gosto misturado ao meu. Quero seu prazer de estar comigo. Quero ser quem eu só sou quando estou com você. Quero saber o que é te sentir. Quero morar em seus olhos. Quero ser a razão do seu sorriso. Quero sonhar o seu sonho mais lindo. Eu quero você!

sábado, 18 de setembro de 2010

Das pequenas irritações cotidianas

Discutem. Ela desliga o telefone com raiva e tem vontade de jogá-lo na parede. O telefone.
Sente como se tudo o que ela falasse tivesse sido em vão, perda de tempo, e que uma parede talvez tivesse tirado mais proveito do tempo perdido com falácias infinitas. Não adiantaria pedir desculpas, ele conseguira destruir o restante de alegria que o dia guardava pra ela.
Já chovia desde cedo e ela estava cheia de coisas pendentes pra resolver. Pensava em relaxar, sair pra um passeio romântico ou simplesmente pra almoçar e jogar um pouco de conversa fora. Mas não...
Resolveu esquecer o que ouvira e pensar um pouco nela mesma. Foi tomar um banho quente, fazer as unhas e recomeçar a biografia que andava tentando ler fazia um tempo, mas não conseguia sair da primeira página.
Tiraria o dia inteiro para cuidar dela, do seu coração, da sua alma, das suas coisas. Faria orações por quem precisasse e leria textos que sabia que gostaria. Com as unhas coloridas e a pele hidratada, seria uma nova mulher e mergulharia dentro de si mesma.
Somente ela sabia o que precisava para se alegrar. E não pouparia esforços para terminar o dia sorrindo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Maturidade

Eu sou metade do que sempre imaginei ser quando chegasse até aqui. Boa parte das conquistas que esperava alcançar, já carrego comigo.
Mas algo ainda me falta.
Em metade de mim cabe um vazio que nem o que sobra da minha outra metade completa é capaz de preencher.
Sou meia asa aberta, preciso de impulso, ainda, para voar.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gelo.

Era a segunda vez em três dias que me recusava um abraço. Mudava as feições como quem sente tristeza ao receber tamanho gesto de afeição, indesejado. Parecia envolvida em meus braços por obrigação. E repudiava qualquer sensação de bem estar que pudesse ousar perpassar sua mente. A frieza com que largava seu corpo ao meu corroía o fundo de minha alma. E o vazio que carregava no peito refletia em mim. Sua tristeza era perceptível somente a quem a conhecesse profundamente, como eu supunha conhecer. E ela nunca dissera o contrário. Seu coração era como pedra de gelo que não derretia, parecia congelar tudo o que tocasse. Mas o meu coração permanecia lá, intocável. Pronto para aquecer e modelar o dela.

domingo, 29 de agosto de 2010

O bilhete

e depois de tanto tempo
a cada dia que passa eu descubro um motivo novo pra me apaixonar por você
cada gesto, o jeito de olhar, o carinho, o cuidado, a atenção... tudo. tudo me dá vontade de te querer cada vez mais perto. cada vez mais pra sempre. cada vez mais meu.