segunda-feira, 20 de abril de 2009

dúvida

ele desliga o telefone e começa a rir.
ela está tão rouca que nem gritando consegue ser ouvida.
''foram muito fortes as emoções'' - diz ele. brincando.
''você nem imagina...'' - pensa ela. e concorda.

minutos depois, se reencontram. pela internet.
e conversam como se nada pudesse atrapalhar.
será que, agora, ela vai conseguir lhe falar...?

terça-feira, 14 de abril de 2009

17 e 17

- Hora igual, faz um pedido!
(todos olham pra cima)
A Fada dos Desejos passa farfalhando as asas e salpicando alegria em pirlimpimpim.
Com os olhos nas nuvens, não perceberam, mas o sobrevôo dela os transformou.
Eles não vêem, mas sentem.
Não sabem, mas sentem.
Nem percebem, mas sentem.
A Fada sorri e se vai sem ser notada. Gosta do que faz.
Vê sorrirem e vai sorrindo.
Semeia sorrisos e os colhe. Os lança a esmo, não escolhe.
E sorri por ver os sorrisos mais sinceros e mais bonitos.
E segue sorrindo por colher os sorrisos que são resultado dos seus semeados desejos.
E sorri, porque, mais que desejos, plantou Esperança naqueles corações de olhos erguidos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

eLe e eLa

cheguei, ele falava dela.
fiquei, ele falava dela.
saí, ele falava dela.
voltei, ele ainda falava.
e falava dela.

ele parece não saber falar de outra coisa.
ele parece não saber viver pra outra coisa.
ele parece não saber sonhar com outra coisa.

a presença dela está entranhada nele.
mas ele já não está mais entranhado nela.
ainda que pareça, eles já não estão mais tão ligados assim.
e ele não percebe. ou não quer perceber.
ou, então, não consegue perceber.

ele se prendeu à necessidade que tinha dela.
como se fosse seu único meio de não sucumbir.
ela, para ele, era tábua de salvação.
ele, para ela, já era sentimento sem sentido e sem razão.

ela já vivia sem ele.
ele só vivia porque respirava por ela.

o azul

era uma vez, uma gota de azul.
no começo, quando ele só conhecia o azul,
ele era só mais uma gota de azul.
meio avermelhado e não sabia o porquê,
mas achava que era azul.
até que, um dia, ele saiu do azul.
teve a oportunidade de conhecer outras cores, rumos e sabores.
e voltou diferente.
percebeu que não era azul.
e que todo aquele azul não era seu.
nunca o pertenceu.
ele se via diferente.
se sentia diferente.
se fazia diferente.
todos o tratavam igual, mas incomodado por se pensar diferente, ele queria se tornar diferente.
queria ser tratado como (achava que) merecia.
e foi assim que aquele azul, que sempre fora azul,
resolveu deixar de ser azul e se assumir roxo.
porque ele era mais que azul. era vermelho também.
era mescla. era mistura. era a pureza da impureza.
ele era roxo porque também era vermelho, mas não deixava de ser azul.
e foi depois de se assumir roxo que ele se percebeu azul.
e vermelho. e roxo. mas sem deixar de ser azul.
e roxo, aquele azul, que também era vermelho, se descobriu feliz. se encontrou. e se permitiu ser roxo. e ser, também, vermelho.
mas não deixou de ser azul.

domingo, 5 de abril de 2009

planando e subindo

Ela viu o Sol nascer
de cima das Nuvens.
Viu o Céu clarear...
...alaranjar
...avermelhar.
Viu as Nuvens ficarem
cor-de-rosa.
Viu as Estrelas
mergulharem do azul.
Viu florescer
o verde dos campos.
Viu refletir a paz de Deus
no transparente das Águas.
Ela viu tudo do alto.
Como nunca antes,
ela simplesmente voou.
(em Joinville)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Engarrafados.

meu relógio parou.
no tempo dos contratempos
meu ritmo desacelerou.

meu relógio atrasou.
o progresso adianta o atraso
de quem ainda não descansou.

meu relógio quebrou.
em volta, os carros parados
mostram que o avanço nos aprisionou.

meu relógio empenou.
presa no trânsito dessa cidade louca
mais que atrasada
perdida
cansada
minha paciência acabou.

meu relógio nunca mais funcionou.
engarrafado
atrasado e abandonado
meu tempo acabou.

sexta-feira, 27 de março de 2009

dos sonhos mais altos.

Ele tem sonhos demais. Sonha alto demais. Sonha sempre demais.
Ele sabe que sonha demais.
Ele tem medo.
Não de sonhar, mas de não realizar os sonhos que alimenta tão carinhosamente.
Ele tem medo.
Ele teme que sua asa quebrada não o permita voar.
Ele tem medo.
Ele não imagina o valor dos seus sonhos. Mesmo dos mais simples.
Ele tem medo.
Pensa que não conseguirá realizar.
Ele tem medo.
Pensa que sonhará sempre sozinho.
Ele não acredita que haverá sempre mais alguém pra sonhar junto. Os mesmos sonhos.
Ele não acredita que sempre haverá lugar, sempre haverá espaço para -simplesmente- realizar.
O primeiro passo pra realizar é sonhar. O segundo é querer. Somente querer.
E todos os sonhos que se sonha se tornarão reais.
Ele pensa que não, mas no fundo sabe de tudo isso.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Branca Rosa Morena

tudo o que vai sempre (tem) volta.
e se volta, vem de novo.
e se vai, se perde.
mas se volta, se encontra.

elas se encontraram por acaso.
seus caminhos se cruzaram por acaso.
elas se identificaram por acaso.
elas se gostaram. mas não foi por acaso.

de todos os sentimentos, só a amizade se escolhe.
e a delas foiescolhida muito antes.
antes mesmo de elas saberem
que já era amizade.

os laços que as unem são invisíveis.
inseparáveis.
invejáveis.
imutáveis.
imortais.
os sentimentos que as perpassam são como o vento.
em seu doce assobio se sente o leve farfalhar das asas.
de um lado anjo. borboleta.
do outro fada. rainha.
no reino da imensidão dos sonhos
batem dois corações de menina.
menina do sorriso em flor.
menina à espera do derradeiro amor.
duas meninas. coloridas. morenas.
a morena que ficou ruiva desabrochou, virou rosa.
a morena que vai no vento desanuviou, ficou branca.
Morena-Fada-Branca.
Morena-Borboleta-Cor-de-Rosa.
no incolor do vento um arco-íris se fez
pelo raio de sol molhado de chuva.
o casulo se rompeu, se enchendo de luz
e as asas se abriram banhadas de cor.
alma liberta
esperança desperta
intensa e eterna
capacidade de sonhar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Coisa de Jorge.

Só podia ser ele. Quem mais intercederia tão de perto?

Ele, Líder dos Templários, que oferece suas armas, cavalo e armadura contra o mal que nem o atinge mais.

Ele, Cavaleiro da Flor, que se oferece como proteção para nós, reles mortais. Devotos.

Nós, que não sabemos (quase nunca) agradecer. Mas, no dia que lhe cabe, comparecemos (todos) levando-lhe flores e preces. Pedidos.

E ele está lá. No seu Cavalo Branco. Alado. À Lua. Fazendo jus ao posto que ocupa no imaginário dos devotos.

Mesmo depois do dia dedicado a ele transformado em feriado, há quem ainda não acredite ou não se lembre do Santo Guerreiro. Mas ele continua a olhar por nós, da Lua.

Salve Jorge!

BENTO CAPITOLINA

"Aí vindes outra vez inquietas sombras..."

Quem me dera ter sido, aos quinze anos, Capitu e ter tido a meu lado, Bentinho.
Descobrir o amor junto com alguém que alimentasse aquele mesmo sentimento.
Imaginar que seríamos os únicos enamorados. Sonhar em construir algo juntos.
Pena não ter vivido a eternidade daqueles sentimentos todos aos quinze anos.
Mas nunca é tarde.
Hoje, cinco anos depois, não me posso queixar de não conhecer o sabor do mais puro e verdadeiro amor.
Talvez tenha demorado. Talvez não.
Quem saberá?
O que sei (e disso tenho -redundantemente- absoluta certeza) é que chegou na hora certa e na pessoa ideal.
E que eu jamais seria completa e feliz como sou agora. E como serei, com ele, pelo resto da vida.
Porque o amor que temos um pelo outro é tão puro e sincero quanto o de Bento e Capitolina nos seus eternos quinze anos.

[sem data]