domingo, 24 de abril de 2011

Nova velha história

Ele tem o coração escancarado. Às mãos. Esperando conserto. E só há um par de mãos capaz de curá-lo.
Não se lembra de ter passado por isso antes. Não sabe como lidar com suas feridas ou aliviar sua dor. Na verdade, ele sabe. E, no fundo, também sabe que a solução é, ao mesmo tempo, motivo de seu sofrimento.
Sempre trouxe suas emoções e sentimentos controlados, como que guardados a sete chaves numa caixa escondida do mundo. Até que ela apareceu.
E no auge de seu autocontrole, se deixou levar sem perceber. Quando se deu conta, já não tinha como voltar atrás. Havia aberto a caixa e trazido todos os seus sentimentos ao alcance dos olhos. Ao contrário de Pandora, sua caixa guardava mais coisas boas que ruins. Mas com o rumo da história, acabou se vendo amargurado como jamais fora.
Seu coração estava exposto. Ela sabia que o despertara. Mas era tarde demais.
Ele, um amante à moda antiga. Cuidava dela por gosto, não por obrigação. Ela, uma amante moderna. Cuidava de si por opção, não queria se envolver. Porém os laços que criaram já não se dissolveriam mais. Mesmo forçados a seguir caminhos diferentes, sempre acabavam por voltar ao ponto de partida, aonde tudo começou, à primeira troca de olhares.
E toda vez que suas almas se encontravam, as dores aliviavam por um tempo. E voltavam à tona quando se davam conta de que o destino os separava naquele momento.
E não há ninguém no mudo que saiba lhes dizer o que fazer. As escolhas são deles.
Ela tem o coração guardado. Fechado pra balanço. E só há um par de mãos autorizado a retirá-lo de sua redoma. Mas que insiste na escolha de não tocá-lo.
Ele tem o coração escancarado. Às mãos. Implorando conserto. E só há um par de mãos no mundo que possa curá-lo: o seu.

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